.
Independentemente de o primeiro finalista da temporada 09/10 da Superliga Nacional de Vôlei ser um time com sede em Montes Claros, eu teria pela equipe a mesma grande admiração. Há ali, mais explicitamente em Lorena, a paixão pelo jogo. O tesão que faz o esporte ser o que é em toda a sua essência.
Eu acompanho o vôlei, e muitos outros esportes olímpicos desde minha juventude, como já disse aqui em outro artigo recente. Não importava tanto a vitória da seleção feminina de basquete quanto ver a garra, a técnica e a paixão de Hortência. Quando é assim, a própria vitória se torna indispensável. A história está aí para não me desmentir. Basta lembrar que a seleção de Telê Santana na Copa de 1982 é uma das mais respeitadas e elogiadas de todos os tempos. E não foi sequer semifinalista!
É sobre essa beleza do esporte que estou falando. É sobre o comportamento de atletas como o oposto Lorena, do Montes Claros. Desde os primeiros amistosos, disputados no ginásio da AABB, no ano passado, ele foi angariando os pontos que resultaram na classificação do time para a grande final da Superliga. Comemorava os pontos feito um louco correndo em direção à torcida e depois dando peitada nos companheiros. E era um amistoso! Um time recém formado numa cidade estranha. Ele que acabava de chegar da Europa. É o típico atleta de sangue nos olhos. Claro, que não é apenas isso. Lorena tem alto nível técnico - não à toa está na briga por uma vaga na seleção de Bernardinho que vai disputar o nono título da Liga Mundial. Mas não basta só técnica. O que faz um atleta ser excepcional é a paixão pelo esporte, não importa a forma como ela se manifesta. Se com a frieza de um Alan Prost ou a explosão patriótica de um Ayrton Senna.
Os amistosos revelaram ao então pequeno público não apenas um time de vôlei, mas uma equipe de alto nível técnico que, de forma humilde mas aguerrida, estava disposta a defender a cidade que o recebia. Atitudes como as de Lorena e do também apaixonado Rodriguinho ajudaram a lotar o abandonado ginásio Tancredo Neves, um elefante branco construído pelo então prefeito Luiz Tadeu Leite às vésperas das eleições em que derrotou jairo Ataíde, atual aliado. Vale lembrar que, na mesma época, foi também construído o novo mercado central - as duas obras, com uma capa monumental mas sem o menor cuidado com acabamento, infra-estrutura básica, e sem qualquer respeito a feirantes e atletas. Hoje, esse mesmo ginásio - ainda uma vergonha para o nosso esporte - ganhou um novo piso para esses "estrangeiros" que aprenderam a ser respeitados pela cidade e até ganharam torcida organizada. Afinal, não se pode pedir que os torcedores de Cruzeiro e Atlético deixem de ir ao Mineirão ou passem a torcer pelo América só porque não há mineiros em campo!
Além de Lorena, o time tem um elenco muito bem montado. Craques com grande experiência em Superliga Nacional e ligas européias (França, Itália e Portugal), como Ezinho, Tiago Brendle, Thiago Salsa, e grandes e decisivas atuações de Piá, Diogo e do central Acácio, um gigante no meio de rede.
Agora, não importa se todo o esforço da temporada se resumirá ao resultado de um único jogo - conforme acordo entre os times e a Rede Globo. Não importa mais o resultado em si. O fato é que a união desses jogadores já é campeã. Um grande desafio será manter a base da equipe. Acredito que, com uma temporada tão impecável, Lorena e Rodriguinho dificilmente ficam.
Deram uma alternativa de espetáculo saudável ao montes-clarense, já enjoado - e em muitos casos enojado - pelo excesso de micaretas. Afinal, de que adianta criticar os supostos altos salários dos craques do vôlei, se quase todas as prefeituras da região vivem investindo em atrações pernas-de-pau do axé? A coisa é tão séria que já parece obrigação a ser incluída em orçamentos municipais.
Agora, sem poder ir a São Paulo, resta ao montes-clarense torcer... Torcer para que o time, seja qual for o resultado da final, resista a outro grande adversário: a sobrevivência pós-eleitoral.
Ps.- Ainda tenho muito dizer e vou voltar a falar de esporte. Por exemplo, nós, cidadãos, queremos saber o orçamento do esporte. Quanto é aplicado no vôlei, quanto é aplicado em ciclismo, em basquete, em esporte adaptado, natação, futsal, futebol, etc. E espero que a secretaria de esportes não esconda essa escalação, nem tire o time de campo. Até mais!
.
quarta-feira, abril 21, 2010
segunda-feira, abril 12, 2010
POLÍTICOS - NOSSA PIOR TRAGÉDIA
.
A água da chuva e a lama da desonestidade atolaram de vez aquela ilusão de que o Brasil é abençoado por deus e livre de guerras e catástrofes naturais. Era comum se dizer: aqui é o paraíso; estamos livres de terremotos, furacões, vulcões, etc. Mas a verdade é que não conseguimos escapar dos efeitos da pior das catástrofes: a atuação da imensa maioria dos nossos políticos.
Essa gente que se elege para fazer carreira; resguardar a herança de poder, a manutenção das dinastias dos velhos e novos coronéis; para realizar o vil poder da revanche; para ajudar a assegurar leis que protejam seus aliados, seus amigos, parentes, e até mesmo o crime organizado.
Segundo o site "Congresso em foco", o número de processos contra deputados e senadores aumentou em 51% desde o início da atual legislatura. Pulou de 101 para 152.
Com tanto parlamentar com possibilidade de ter a ficha suja, infelizmente o projeto Ficha Limpa jamais será aprovado. E acredito que nem mesmo com a aprovação, a camada mais suja da nossa sociedade (que é a que vive permanentemente sem a menor noção de escrúpulos, respeito, senso de ética e humanidade) deixará de comprar seu acesso aos poderes legislativo e executivo.
Dessa rede também faz parte a maioria dos prefeitos brasileiros. Políticos que têm demonstrado (não é de hoje isso, não - bem sabemos) que chega aos governos municipais para beneficiar cabos eleitorais, amigos, empreiteiras; enfim, se dar bem. Não querem saber de cuidar de melhorar a qualidade de vida da população.
Como eu já disse em outros artigos, um deles publicados no falecido Grandeminas.com, essa teia de velhas raposas que não se renova há décadas, gosta muito de usar a palavra povo, para separar bem: políticos com ou sem mandato e povo. O que é povo para essa corja? A massa que o elege. Como se faz nas seitas evangélicas de portinhas de esquina, é aplicar o marketing barato do berro, do grito, e da promessa. Uma receita que até hoje dá resultados. Elege quase sempre os mesmos políticos, e explora sempre - em número cada vez maior - os mesmos cidadãos.
Assim, fica difícil conscientizar o cidadão de que povo somos todos nós. Mas que cidadãos, só tem sido uma minoria privilegiada e, não raro, favorecida. POLÍTICO, com ou sem mandato, NÃO É NOSSO DONO, NOSSO PATRÃO. POLÍTICO é eleito para SERVIR AO CIDADÃO. POLÍTICO é NOSSO SERVIDOR. Ele é pago para cuidar do nosso bem-estar. Se o faz, não é mais que obrigação. Se não o faz, tem de ser cobrado sim; e se pratica atos ilegais, tem de ser processado e punido, sim!
Veja o caso dos desastres que assolam o Rio, que feliz ou infelizmente, é o retrato do nosso país. Ali está a imagem, a cara da nossa política. A exposição crua da nossa grande tragédia. A guerra, que pensávamos estar bem longe, e o desrespeito à vida humana escancarado nas enchentes e desmoronamentos. Guerra sim, nunca assumida, mas estampada como um diário da Faixa de Gaza brasileira. Os traficantes e milícias são nossos terroristas. E os cidadãos do Rio são suas vítimas constantes. Ali, não tem político corajoso capaz de encarar a verdadeira guerra. As recentes catástrofes provocadas pela chuva não são fruto apenas da força da natureza, mas da inoperância dos governantes. É lixão "escondido" no centro de grandes cidades. É falta de urbanização. É pobreza extrema amontoada em morros. Não foi a chuva que matou tanta gente. Foi o lixo da política. A lama da corrupção. A falta de profissionalismo na administração das cidades.
Joelmir Beting resumiu um pouco como a questão do saneamento é tratada em nossas cidades: "o Brasil é o único país que não deposita lixo pra baixo, empurra lixo pra cima". As enchentes e a guerra do tráfico no Rio se equivalem à nossa seca prolongada aqui. Moeda eleitoral antiga, enferrujada, banalizada, mas tristemente ainda valorizada no meio político. A seca nunca foi o verdadeiro problema. Todos bem sabemos. A falta de reservatórios de água, sim.
Até hoje politiquinhos locais ainda usam jornalistinhas locais para espalhar o "drama da seca" "o sofrimento dos flagelados". Mentira mais sangrenta que a carne que essa gentalha devora ainda quase crua nos encontros, seminários e almoços de churrascaria. O escândalo que fabricam com os dados da Emater sobre centenas de rios que secam, milhares de cabeças perdidas no rebanho, e até vidas humanas em risco... Tudo moeda eleitoral. Não é a natureza a responsável por tudo isso. São eles mesmos, com ou sem mandato; somos nós mesmos, "imprensa", que mal sabe ler e escrever, muito menos questionar. Também pudera: como questionar se muitos "jornalistas" vivem da troca de favores que, direta ou indiretamente, ajudam a dar sustentação política à mentira. As notícias que se lê em Montes Claros são construídas em dois substantivos: bajulação ou perseguição. E dependendo do jogo do poder, a troca de substantivos é sazonal.
A esperança brasileira é a renovação política, mas não a enxergo ainda. Pior, a grande "renovação" tem sido no campo religioso. Cada vez mais pastores se aproveitam do seu rebanho para transformar dízimos em votos. Deve haver, claro, alguns que realmente querer levar cidadania aos seus crentes. Mas vejo um futuro temeroso, em que teremos que escolher entre uma ditadura de seitas evangélicas e o império do crime organizado. Pensando bem, que diferença faz?
.
A água da chuva e a lama da desonestidade atolaram de vez aquela ilusão de que o Brasil é abençoado por deus e livre de guerras e catástrofes naturais. Era comum se dizer: aqui é o paraíso; estamos livres de terremotos, furacões, vulcões, etc. Mas a verdade é que não conseguimos escapar dos efeitos da pior das catástrofes: a atuação da imensa maioria dos nossos políticos.
Essa gente que se elege para fazer carreira; resguardar a herança de poder, a manutenção das dinastias dos velhos e novos coronéis; para realizar o vil poder da revanche; para ajudar a assegurar leis que protejam seus aliados, seus amigos, parentes, e até mesmo o crime organizado.
Segundo o site "Congresso em foco", o número de processos contra deputados e senadores aumentou em 51% desde o início da atual legislatura. Pulou de 101 para 152.
Com tanto parlamentar com possibilidade de ter a ficha suja, infelizmente o projeto Ficha Limpa jamais será aprovado. E acredito que nem mesmo com a aprovação, a camada mais suja da nossa sociedade (que é a que vive permanentemente sem a menor noção de escrúpulos, respeito, senso de ética e humanidade) deixará de comprar seu acesso aos poderes legislativo e executivo.
Dessa rede também faz parte a maioria dos prefeitos brasileiros. Políticos que têm demonstrado (não é de hoje isso, não - bem sabemos) que chega aos governos municipais para beneficiar cabos eleitorais, amigos, empreiteiras; enfim, se dar bem. Não querem saber de cuidar de melhorar a qualidade de vida da população.
Como eu já disse em outros artigos, um deles publicados no falecido Grandeminas.com, essa teia de velhas raposas que não se renova há décadas, gosta muito de usar a palavra povo, para separar bem: políticos com ou sem mandato e povo. O que é povo para essa corja? A massa que o elege. Como se faz nas seitas evangélicas de portinhas de esquina, é aplicar o marketing barato do berro, do grito, e da promessa. Uma receita que até hoje dá resultados. Elege quase sempre os mesmos políticos, e explora sempre - em número cada vez maior - os mesmos cidadãos.
Assim, fica difícil conscientizar o cidadão de que povo somos todos nós. Mas que cidadãos, só tem sido uma minoria privilegiada e, não raro, favorecida. POLÍTICO, com ou sem mandato, NÃO É NOSSO DONO, NOSSO PATRÃO. POLÍTICO é eleito para SERVIR AO CIDADÃO. POLÍTICO é NOSSO SERVIDOR. Ele é pago para cuidar do nosso bem-estar. Se o faz, não é mais que obrigação. Se não o faz, tem de ser cobrado sim; e se pratica atos ilegais, tem de ser processado e punido, sim!
Veja o caso dos desastres que assolam o Rio, que feliz ou infelizmente, é o retrato do nosso país. Ali está a imagem, a cara da nossa política. A exposição crua da nossa grande tragédia. A guerra, que pensávamos estar bem longe, e o desrespeito à vida humana escancarado nas enchentes e desmoronamentos. Guerra sim, nunca assumida, mas estampada como um diário da Faixa de Gaza brasileira. Os traficantes e milícias são nossos terroristas. E os cidadãos do Rio são suas vítimas constantes. Ali, não tem político corajoso capaz de encarar a verdadeira guerra. As recentes catástrofes provocadas pela chuva não são fruto apenas da força da natureza, mas da inoperância dos governantes. É lixão "escondido" no centro de grandes cidades. É falta de urbanização. É pobreza extrema amontoada em morros. Não foi a chuva que matou tanta gente. Foi o lixo da política. A lama da corrupção. A falta de profissionalismo na administração das cidades.
Joelmir Beting resumiu um pouco como a questão do saneamento é tratada em nossas cidades: "o Brasil é o único país que não deposita lixo pra baixo, empurra lixo pra cima". As enchentes e a guerra do tráfico no Rio se equivalem à nossa seca prolongada aqui. Moeda eleitoral antiga, enferrujada, banalizada, mas tristemente ainda valorizada no meio político. A seca nunca foi o verdadeiro problema. Todos bem sabemos. A falta de reservatórios de água, sim.
Até hoje politiquinhos locais ainda usam jornalistinhas locais para espalhar o "drama da seca" "o sofrimento dos flagelados". Mentira mais sangrenta que a carne que essa gentalha devora ainda quase crua nos encontros, seminários e almoços de churrascaria. O escândalo que fabricam com os dados da Emater sobre centenas de rios que secam, milhares de cabeças perdidas no rebanho, e até vidas humanas em risco... Tudo moeda eleitoral. Não é a natureza a responsável por tudo isso. São eles mesmos, com ou sem mandato; somos nós mesmos, "imprensa", que mal sabe ler e escrever, muito menos questionar. Também pudera: como questionar se muitos "jornalistas" vivem da troca de favores que, direta ou indiretamente, ajudam a dar sustentação política à mentira. As notícias que se lê em Montes Claros são construídas em dois substantivos: bajulação ou perseguição. E dependendo do jogo do poder, a troca de substantivos é sazonal.
A esperança brasileira é a renovação política, mas não a enxergo ainda. Pior, a grande "renovação" tem sido no campo religioso. Cada vez mais pastores se aproveitam do seu rebanho para transformar dízimos em votos. Deve haver, claro, alguns que realmente querer levar cidadania aos seus crentes. Mas vejo um futuro temeroso, em que teremos que escolher entre uma ditadura de seitas evangélicas e o império do crime organizado. Pensando bem, que diferença faz?
.
Assinar:
Postagens (Atom)