Terça-feira, Outubro 13, 2009

Resposta da Redbull F1 Racing

Segue abaixo a resposta da equipe Redbull ao email que enviei com a minha opinião sobre o infeliz comunicado postado pela equipe de fórmula-um, em seu site, sobre os cuidados que se deve ter ao vir ao Brasil.
Hoje entrei no site e não encontrei mais o artigo. O Texto foi substituído por um outro artigo em que o ex-piloto David Coulthard elogia o GP Brasil.
Primeiro, leia o artigo anterior, já traduzido. O título do artigo é "apenas diga NÃO":

"Guia de sobreviência da RBR (Redbull Racing)

Perguntas para se dizer "não" - Dicas a jornalistas internacionais

- Este Rolex é verdadeiro?

- Gostaria de uma oitava caipirinha?

- Devo parar no sinal vermelho?

- Você gostaria de conhecer uma garota muito bonita que eu conheço?

- Esta é realmente uma garota?

- Você gostaria de mais carne?

- Gostaria que eu estacionasse seu carro?

- Já considerou a possibilidade de viver com apenas um rim?

- Devo parar se um carro bater na minha traseira?

- Minha esposa vai acreditar que a calcinha sensual que eu trago na minha mala é um presente para ela?
- Não deixe a sala de imprensa no domingo à noite e venda a sua credencial para um espectador.

- Não saia dizendo: “Te vejo no ano que vem, companheiro!”.
- Não vá para tirar três semanas de folga.

- Não feche a sua matéria com uma bem-humorada nota dizendo ao editor de esportes o que você realmente pensa dele, achando que não estará trabalhando no jornal no próximo ano.

- Lembre de adiantar o relógio em uma hora no sábado à noite. Isso significa virar o ponteiro à direita, diferentemente do circuito de Interlagos, que é anti-horário. Ótimo. Além dos problemas de fuso horário entre Cingapura-Japão-Europa-Brasil, os deuses ainda lhe roubam outra hora de sono."

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Agora, a resposta da Redbull ao meu email - claro, que já se trata de uma resposta padrão diante da revolta dos brasileiros ao teor do artigo. Lá embaixo está o texto do meu email.


Re: CRIME AND PREJUDICE AGAINST BRAZIL‏
De: Feedback@redbullf1.com
Enviada: segunda-feira, 12 de outubro de 2009 9:56:32
Para: klingklang20050@hotmail.com

Recebemos os vossos comentários a propósito da nossa antevisão do GP do Brasil. Por favor leiam a nossa resposta:
Infelizmente parece ter havido um mal entendido a propósito da nossa antevisão do GP do Brasil. O que pretendemos significar foi que todo mundo que trabalha na Fórmula Um, incluindo os que trabalham na Red Bull, adora vir para o Brasil e para o seu Grande Prémio. Quando dissemos que o Brasil era como uma droga – não que o Brazil era uma droga – não insinuamos nada de negativo – queríamos só dizer que é um pais de que nunca nos cansamos e queremos sempre mais.
No entanto, todos os anos alguns elementos da Fórmula Um encontram dificuldades em São Paulo porque não usam seu senso comum quando lidam com uma cultura e estilo de vida diferentes. A nossa antevisão pretendeu ser um guia bem-humorado para ajudar as pessoas que trabalham na Fórmula Um a aproveitar o que o Brasil tem de bom, de forma responsável
Lamentamos se isso ofendeu algumas pessoas, porque essa não era a nossa intenção. A Red Bull adora o Brasil e todos ansiamos a próxima corrida – que é uma das melhores do ano.

We have received your comment about our Brazilian GP preview and would like you to read our response:
Unfortunately, it seems there was a misunderstanding about our Brazilian GP preview. What we meant was that everyone in Formula One, including the people from Red Bull, loves coming to Brazil for the Grand Prix. Saying Brazil is like a drug, was not meant to be negative – it was meant in a good way as it is a place we cannot get enough of.
However, every year, some members of the F1 world get themselves in trouble in Sao Paulo because they do not use their common sense in dealing with a different lifestyle and culture. Our preview was meant to be a light-hearted guide for F1 people to help them enjoy the delights of Brazil in a responsible way.
We’re sorry if we caused you offence as it was not intended. Red Bull loves Brazil and we’re very much looking forward to the forthcoming race – it’s one of the best of the year.

-----Ricardo Freitas wrote: -----


To:
From: Ricardo Freitas
Date: 10/10/2009 02:02PM
Subject: CRIME AND PREJUDICE AGAINST BRAZIL

About the "survival guide" in Brazil that you put on your site:


It´s prejudice!
It´s ignorance!
it´s racism!
it´s a crime!
And it´s a shot on your own foot. People in Brazil drink redbull and
help to support this strange and almost ilegal drink that "gives you wings", for what?


we can launch a campaign against all redbull products,


trash. That what REDBULL F1 and ALL THAT TAKES REDBULL MARK is.


REDBULL GIVES YOU NO WINGS, BUT BAD LESSON, PREJUDICE AND A DESGUSTIN´ FLAVOR OF A CRIME AGAINST A ENTIRE NATION.


YOU DON´T KNOW BRAZIL
YOU DON´T KNOW PEOPLE OF BRAZIL
YOU DON´T KNOW THE REAL WORLD.


IT´S A SHAME FOR WORLD SPORT.
REDBULL IT´S A COMPLETE SHAME


RICARDO FREITAS

Terça-feira, Agosto 25, 2009

ISSO NÃO É TROTE. É TROTE!

Quase todo dia tem um grupinho de quatro a sete jovens pintados dos pés à cabeça pedindo dinheiro no cruzamento das avenidas Mestra Fininha e Deputado Esteves Rodrigues. São calouros de alguma faculdade; na esmagadora maioria, particular. Então não é trote. É trote!

Competindo com os deficientes físicos que pedem esmola no local, os novos "gênios" universitários se sentem orgulhoso em aparecer melados de tinta colorida, feito um abadá enlameado se arrastando com um sorriso no rosto. A maioria passou em faculdades particulares; ou seja, os calouros foram convocados a pagar pra fazer o curso. Nada de errado. Mas onde está então o sabor da conquista? O trote não passa então de um trote. O trote não vale nada.

Pior que isso é quando penso na massa inculta e despreparada que esses cursos que se multiplicam às centenas em cada esquina, como "templos" evangélicos e lan houses. Dá um templo! Quero dizer, dá um tempo! O que vai ser dos nossos filhos e netos? O que fazer quando uma jornalista não sabe quem é o presidente da Câmara, e ainda diz: "câmera"? Essa pérola saiu ontem da boca de uma linda loira jornalista, na série de testes para a vaga de oitavo integrante do programa CQC. Ainda bem que meu cachorro nunca vai ler qualquer notícia feita por esse tipo de profissional da aberração.

Não é só jornalista. Vá a qualquer curso superior e desafie alguém a fazer um texto qualquer em que pelo menos dois parágrafos tenham uma gramática decente e uma coerência razoável. Pode-se contar nos dedos. Os cursos superiores abrigam hoje o reflexo dos cursos fundamentais mal conduzidos e mal feitos: uma massa de analfabetos funcionais. Grande parte tem um ritmo de leitura semelhante ao dos piores gagos. Não escreve nada bem. Pior: não conseguem captar a mensagem. É vergonhoso.

Nas escolas de jornalismo, o que vejo hoje é que realmente falta estrutura para que os professores levem a prática para dentro da universidade. Mas o que mais dói é ver o estudante de jornalismo que não se interessa pela matéria-prima da carreira que escolheu. Os caras não assistem aos jornais. Não se informam nem se interessam pela notícia nem mesmo quando navegam na internet. Não querem aprender a ler e escrever corretamente. Não se esforçam para, além disso, ler e escrever tecnicamente para que a nossa língua seja usada devidamente na profissão: uma ferramenta que transforme fatos em notícia; que seja o meio pelo qual se questione, ajude a explicar e se faça entender; com a qual se procure a justiça, a verdade, a isenção e a cidadania.

A língua portuguesa é o esqueleto do jornalismo, e não apenas um decoreba de cursinho caça-níqueis para vestibular. A palavra é a mais poderosa das armas. Faz e desfaz. Acusa e inocenta. É capaz de ferir de forma irreversível! A nossa língua não pode nem deve ser tratada, como quer a turminha do STF. Mas cada vez que vemos estudantes cravarem suas unhas tão agressivamente na gramática e, conseqüentemente, no cerne da informação, me sinto então o cozinheiro de Gilmar Mendes, preparando um fubu sem ter a capacidade de retirar o veneno.

Chega de patricinhas querendo ser Fátima Bernardes e malucos se achando que tirar fotos em micaretas ou virar reboque de carro da polícia é jornalismo. A palavra é para se comunicar. Jornalista é operário da informação. Se não sabe entender o mundo e se comunicar com ele... Vá ser professor de trote na esquina da Sanitária!

Quarta-feira, Maio 13, 2009

Os mortos do Maranhão

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Até agora foram quase 50 mortos nas enchentes do Nordeste, a maioria no Maranhão. Há milhões de desabrigados. E quantos mortos pela nova gripe? No Brasil, zero.
Mas o que mais ocupa destaque na grande mídia? A nova gripe.

Em 1985, nada menos que 25 mil colombianos foram sepultados vivos! Um vulcão despejou uma avalanche de lava e rochas sobre toda a cidade de Armero. Alguém se lembra? Duvido.

Mas quem esquece os mortos de Columbine? E de outras tantas escolas dos Estados Unidos? E dos reféns norte-americanos no Irã no auge da ditadura dos aiatolás? Muita gente lembra, sim.

E os milhares de afegãos mortos por tropas norte-americanas? Os iraquianos, os palestinos (mortos por Israel, mas o terrorismo de Estado é, por tabela, trade mark dos Estados Unidos).

Mortos famosos? Frank Sinatra. John John Kennedy. Marylin Monroe. Se bobear, até o genocida George W. Bush vira santo. Ninguém esquece. Ou pior: é forçado a não esquecer.

E tem os mortos das torres gêmeas. Uns 3.600. Muitos de outros países.
Não dá pra esquecer, né? Mas e os milhões de mortos em Rwanda? E outros milhões exterminadas nas guerras de fome e de fome de poder África adentro? Não se conta.

Quanto vale um morto?
Quanto vale um morto para pesar em nossa memória?
Quantas centenas de chineses mortos num terremoto valem um bandido executado por um policial no império dos Bush?
Quantas dezenas de geniais Marisas Montes valem uma boneca inflável de motel como Britney Spears?
A morte de um coadjuvante de filme B norte-americano vale encerrar o Jornal Nacional. O falecimento de alguns dos grandes nomes da nossa arte virar nota coberta com foto e créditos com as manjadas datas de nascimento e morte?

Quanto vale um corpo eu bem sei. Se o morto é norte-americano vale muito, mesmo que seja um simples faxineiro. Se for um grande nome de um país pobre ou em desenvolvimento vale nada.

Que os estados Unidos valorizem seus mortos, vá lá. Agora, a grande mídia brasileira - bem como de outros países cuja imprensa ainda trabalha como colônia cultural - repetir feito papagaio tudo que se diz na "Corte" é deprimente. Entre nos grandes sites nacionais e você saberá fofocas de pessoas cujo nome você nunca ouviu falar. Mas estão lá: em flagrantes incríveis indo às compras; puxando a alça do sutiã numa praia do Caribe; mudando de parceiro, etc. E assim é com os mortos.

Os mortos do Maranhão são como os do Afeganistão, os de Armero, os do Tsunami (assustador: mais de duzentas mil pessoas perderam a vida!).
Os mortos da enchente do Maranhão valem menos que os da enchente de Santa Catarina.
Será que a Record está fazendo campanha pelas vítimas dessa enchente, como fez em Blumenau? Será que Ana Maria Braga fez transmissão ao vivo de São Luís? Eu não vi.

Os mortos do Maranhão não dizem muito aos donos daquele Estado-dos-Sarney.
Mas será que a imagem dos Sarney já não anda alagada demais para aparecer na mídia? E como eles são donos da mídia, não seria surpresa um controle do que se passa na imprensa do Sudeste. Assim como se faz aqui nas Minas de Aécio - o homem que criou em volta de si uma suspeitável unanimidade política -, provavelmente nosso futuro Collor.

Nós, cidadãos mineiros, não devemos apenas nos preocupar e enviar ajuda aos conterrâneos da Sarneylândia. Precisamos também ficar atentos para que, como os mortos do Maranhão, não sejamos vitimados por essa Aeciolândia, sustentada por uma imprensa que se cala a qualquer preço.
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